Ela andava pela rua, o relógio acabara de badalar as seis da manhã e a rua ainda estava por ser descurtinada pelos primeiros raios de sol daquela primavera chuvosa. As primeiras luzes acesas, o miar de um gato, o choro de uma criança e a sombra de alguns trabalhadores que já iam para a labuta.
Dolores sabia que talvez esse poderia ser o dia mais dolorido de seua vida. Era impressionante como estava acostumada a criar circulos de amizade, mas, como era dolorido desfazer-se desses, como era dolorido a perda repentina. Era como uma pessoa sem identidade, sem lugar exato para fixar-se, era algo que a incomodava desde que soubera o real significado de pertencimento.
Pertencer a algo sempre foi bem dificil na vida dessa menina. Grupos e estilos não passavam por sua cabeça, e muitas vezes os gestos e gostos não lhes eram bem vistos. Ela sempre sentia um nó na garganta, era como uma dor que gardava por 19 anos e que não conseguira encontrar meios para liberá-la.
o mundo era deveras complicado, as pessoas deveras egoistas. nada se encaixava e o prazer era como algo momentâneo. Mas, mesmo assim seguia sua vida como se cada dia fosse outro. Como se a a cada esquina um fio de esperança varresse o pior dia, e levasse embora a dor de existência.
Era a vida, engraçada, triste,mas necessária a ser vivida.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Silêncio
Silêncio....
É na calada da noite, que escuto os mais intermitentes e afinados gritos. Uma voz que não sai de minha mente, uma cena que me emudece, que me paralisa.
Sinto-me calada, sofrendo por tudo aquilo que não compreendo, ou simplismente tento não compreender. A raiva, o choro, e as corridas, ainda rodam em minha mente como um filme sendo constantemente rebobinado.
Calada, sento-me, e espero o frio passar. Pego uma caneca de chocolate com canela, e acendo o abajur mais próximo. leio incesantemente a mesma frase, a mesma passagem de meu livro favorito. Mesmo assim, o frio me consome e de sobresalto ergo-me. Olho o relógio, já passam das três da manhã, e nada de algo que possa me fazer entender.
Desisto. Exatamente a 3 mesês, tendo entender coisas que não necessariamente possuem certa coerência. Deito-me, e meu gato me olha, como olhos do gato risonho de Alice. Sinto-me pequena e caio no sofá, o memso sofá vermelho que passo às noites a delirar.
Acordo de manhã com um sorriso angelical, e palavras de bom humor, e agradeço aos céus que eles não precisam de resposta, simplismente me fazem bem.
É na calada da noite, que escuto os mais intermitentes e afinados gritos. Uma voz que não sai de minha mente, uma cena que me emudece, que me paralisa.
Sinto-me calada, sofrendo por tudo aquilo que não compreendo, ou simplismente tento não compreender. A raiva, o choro, e as corridas, ainda rodam em minha mente como um filme sendo constantemente rebobinado.
Calada, sento-me, e espero o frio passar. Pego uma caneca de chocolate com canela, e acendo o abajur mais próximo. leio incesantemente a mesma frase, a mesma passagem de meu livro favorito. Mesmo assim, o frio me consome e de sobresalto ergo-me. Olho o relógio, já passam das três da manhã, e nada de algo que possa me fazer entender.
Desisto. Exatamente a 3 mesês, tendo entender coisas que não necessariamente possuem certa coerência. Deito-me, e meu gato me olha, como olhos do gato risonho de Alice. Sinto-me pequena e caio no sofá, o memso sofá vermelho que passo às noites a delirar.
Acordo de manhã com um sorriso angelical, e palavras de bom humor, e agradeço aos céus que eles não precisam de resposta, simplismente me fazem bem.
segunda-feira, 9 de março de 2009
quarta-feira, 4 de março de 2009
terça-feira, 3 de março de 2009
segunda-feira, 2 de março de 2009

Meus tinos e desafinos. encantos e desencantos:) Furtada daMarcita
"Estas memorias o recuerdos son intermitentes y a ratos olvidadizos porque así precisamente es la vida. La intermitencia del sueño nos permite sostener los días de trabajo
Muchos de mis recuerdos se han desdibujado al evocarlos, han devenido en polvo como un cristal irremediablamente herido.
Las memorias del memorialista no son las memorias del poeta. Aquél vivió tal vez menos , pero fotografió mucho más y nos recrea con la pulcritud de los detalles. Éste nos entrega una galería de fantamas sacudidos por el fuego y la sombra de su época..."
(Pablo Neruda) Confieso que he vivido.
desafinando
Da minha janela ,olho triste para as mudanças do meu mundo. Inacabas, apenas em esboço.
Segunda feira,demarcada como as outras do ano, pelo calor intenso e sufocante do Rio de Janeiro.A verdade,é que essa poderia ser mais um simples inicio de semana,a não ser pelo fato dos recomeços.
Pego um copo de gim, aumento o som da vitrola, Billie Holiday cantando ao máximo e sento em minha poltrona favorita. Fico por horas a olhar o imenso cubo de gelo em meu copo e a tentar entender o quão esse elemento se aplicaria ao meu ser.
Do mesmo local observo os inúmeros quadros em minha parede. Che,Paris Antiga, Carrossel encantado, uma Alice sentada no jardim, e inúmeras pinturas de minha infância. Na verdade,é nessa última pintura que fixo o meu olhar e que consigo florear meus pensamentos. Me acordo de todos os detalhes dos grandes e importantes momentos. Me permito um mundo de fadas e sonhos possíveis,onde até mesmo a felicidade imperava.
É nesse instante, que tento entender o exato momento em que não me permiti ser mais desejosa e feliz.Descrente nos sonhos e cansada dos mesmos quehabitaram um dia minha ilustre razão.
Sento-me mais a fundo na poltrona.Ela é antiga e revestida por um pano preto, em cima, inúmeras almofadas de bolinhas a adornam. Ela é meu canto mais antigo e me permite viajar em meus desvaneios e secretos desejos.Nela me permito ser a mesma sonhadora e iluminada menina.
Passo as noites nela,leio meus livros e penso em meu futuro, distante mas,brilhante........
Segunda feira,demarcada como as outras do ano, pelo calor intenso e sufocante do Rio de Janeiro.A verdade,é que essa poderia ser mais um simples inicio de semana,a não ser pelo fato dos recomeços.
Pego um copo de gim, aumento o som da vitrola, Billie Holiday cantando ao máximo e sento em minha poltrona favorita. Fico por horas a olhar o imenso cubo de gelo em meu copo e a tentar entender o quão esse elemento se aplicaria ao meu ser.
Do mesmo local observo os inúmeros quadros em minha parede. Che,Paris Antiga, Carrossel encantado, uma Alice sentada no jardim, e inúmeras pinturas de minha infância. Na verdade,é nessa última pintura que fixo o meu olhar e que consigo florear meus pensamentos. Me acordo de todos os detalhes dos grandes e importantes momentos. Me permito um mundo de fadas e sonhos possíveis,onde até mesmo a felicidade imperava.
É nesse instante, que tento entender o exato momento em que não me permiti ser mais desejosa e feliz.Descrente nos sonhos e cansada dos mesmos quehabitaram um dia minha ilustre razão.
Sento-me mais a fundo na poltrona.Ela é antiga e revestida por um pano preto, em cima, inúmeras almofadas de bolinhas a adornam. Ela é meu canto mais antigo e me permite viajar em meus desvaneios e secretos desejos.Nela me permito ser a mesma sonhadora e iluminada menina.
Passo as noites nela,leio meus livros e penso em meu futuro, distante mas,brilhante........
Parte do que sou
Segunda Feira, março.
Mudanças e recomeços
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
muda-se o ser, muda-se a confiança;
todo o mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
diferentes em tudo da esperança;
do mal ficam as mágoas na lembrança,
e do bem (se algum houve), as saudades."
Luís de Camões, Lírica
Mudanças e recomeços
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
muda-se o ser, muda-se a confiança;
todo o mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
diferentes em tudo da esperança;
do mal ficam as mágoas na lembrança,
e do bem (se algum houve), as saudades."
Luís de Camões, Lírica
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