Ela andava pela rua, o relógio acabara de badalar as seis da manhã e a rua ainda estava por ser descurtinada pelos primeiros raios de sol daquela primavera chuvosa. As primeiras luzes acesas, o miar de um gato, o choro de uma criança e a sombra de alguns trabalhadores que já iam para a labuta.
Dolores sabia que talvez esse poderia ser o dia mais dolorido de seua vida. Era impressionante como estava acostumada a criar circulos de amizade, mas, como era dolorido desfazer-se desses, como era dolorido a perda repentina. Era como uma pessoa sem identidade, sem lugar exato para fixar-se, era algo que a incomodava desde que soubera o real significado de pertencimento.
Pertencer a algo sempre foi bem dificil na vida dessa menina. Grupos e estilos não passavam por sua cabeça, e muitas vezes os gestos e gostos não lhes eram bem vistos. Ela sempre sentia um nó na garganta, era como uma dor que gardava por 19 anos e que não conseguira encontrar meios para liberá-la.
o mundo era deveras complicado, as pessoas deveras egoistas. nada se encaixava e o prazer era como algo momentâneo. Mas, mesmo assim seguia sua vida como se cada dia fosse outro. Como se a a cada esquina um fio de esperança varresse o pior dia, e levasse embora a dor de existência.
Era a vida, engraçada, triste,mas necessária a ser vivida.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
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